Aqui vou colocar a explicação oficial que explica um pouco da espiritualidade desse tempo:
" "Kadosh" é uma palavra hebraica que significa "Santo", separado para Deus, consagrado a Ele.
Todos fomos criados por Deus para santidade. Viemos de Deus e voltaremos para Ele, que é Alfa e Ômega, Princípio e Fim. Portanto, somos chamados a permanecer em Deus. "Eu sou a videira; vós os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer". (Jo 15,5). Permanecer em Deus significa ter seus mesmos sentimentos e pensamentos de Cristo"...completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos." (Fl 2,2).
E para termos os mesmos sentimentos de Cristo, Ele deseja nos dar um novo coração: "Eu vos darei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne." (Ez 36, 26). Portanto, a partir de uma sincera experiência pessoal com Cristo, somos renovados por Seu Espírito.
"Desejo um encontro com o amor misericordioso de Deus que jamais abandona os seus filhos; e uma renovada conversão." (trecho de mensagem do Papa Leão XIV para a Obra Lumen, na ocasião do último encontro "Com Deus, tem Jeito").
Para a nossa vocação Lumen, somos chamados a renovar essa experiência, especialmente através do Mistério de Mateus 25, 40; com Jesus Abandonado - o Emanuel, naqueles que sofrem. Dessa forma, a partir dessa experiência, não olhamos mais para a humanidade com o mesmo olhar. "Não vos conformeis com este mundo, mas transformais-vos pela renovação do vosso espírito" (Rm 12, 2). O encontro com o Emanuel nos gera santidade, uma renovada conversão e uma profunda "consciência apostólica" de nossa missão.
DUC IN ALTUM - Mergulhai em águas profundas!"
DUC IN ALTUM - Mergulhai em águas profundas!"
*Atenção*
Ressalto aqui que não participei do retiro e nem vi a explicação do tema. O que escreverei aqui são reflexões minhas acerca da música. Vamos pensar nessa letra?
Como as demais postagens no mesmo estilo, em negrito está a letra da música e o restante em letra "normal" são meus apontamentos.
(Composição: Camila Correia )
O coração se eleva
O Céu se une a terra
Teu olhar nos alcançou
Tudo então se renovou
“O coração se eleva” - Esse começo me faz pensar em uma atitude interior, tirar o coração de baixo (ansiedade, distração, dureza, coisas do "mundo") e o erguer para Deus. Faz-me pensar em um momento de oração, de intimidade com Deus.
Na prática, é aquele “modo de rezar” em que você para de ficar só no seu mundo e começa a colocar sua atenção em Deus, com calma e verdade.
“O Céu se une a terra” - Essa frase é de um beleza...daquelas que nos fazem repetir a exclamação do padre Paulo Ricardo: "É lindo ser católico!". É praticamente uma definição do que acontece na liturgia cristã, especialmente na Eucaristia: não é “só um símbolo”, é uma união real entre o invisível e o visível.
O Catecismo da Igreja descreve isso bem: a liturgia terrena “é inseparavelmente unida” à liturgia do céu; e diz que “o céu… desce à terra” por causa da Encarnação e que a Eucaristia é “a união do visto e do invisível”. E dá pra ligar isso também ao jeito de a Igreja rezar “puxando” o céu para dentro do tempo: o coração da oração da Igreja une a Igreja peregrina (na terra) com a Igreja gloriosa (no céu), por nossas orações pelas almas do purgatório, pela intercessão dos santos.
Inclusive São João Crisóstomo ajuda a entender por que a gente participa do mistério sem “reduzir” tudo ao que os olhos captam:
“Não cremos nas próprias coisas que vemos… mas cremos em algumas que vemos e em outras que cremos.”
Ou seja: “o Céu se une a terra” é Cristo agindo na liturgia; você não está só “fazendo memória”, você está sendo unido ao mistério que vem do alto.
“Teu olhar nos alcançou” - Aqui a música muda o foco, não é só “eu me elevo”, é Deus que me encontra, é uma resposta dEle. A Bíblia fala exatamente disso: Deus tem os “olhos” sobre quem o ama e cuida. O Salmo 33 diz: “Os olhos do Senhor estão sobre os que o amam…"
“Teu olhar nos alcançou” é um jeito bem poético de dizer que Deus não ficou distante. Ele me viu por dentro, Ele me conhece como ninguém e me chamou de volta.
“Tudo então se renovou” - Aqui continua a falar da resposta de Deus, a renovação como efeito de Deus em nós, mudando nossa forma de agir, lapidando o nosso ser. No Novo Testamento, aparece que somos salvos “por sua misericórdia” e por um “renascimento” e “renovação” no Espírito Santo. Em Colossenses, também é bem direto: “o novo ser… está sendo renovado” e passa a viver de um jeito transformado, como na história do oleiro que nos faz como vasos novos. E ainda mais forte no fim, como promessa: “Eu faço novas todas as coisas.” (Apocalipse 21). Jesus também fala da “renovação de todas as coisas” ligada ao seu reinado, purificando o que foi contaminado pelo pecado.
Um bom resumo dessa estrofe é que quando nos voltamos para Deus, Ele desce a nossas vidas de uma forma concreta (por meio da liturgia, com a união do céu e da terra). o olhar dEle alcança a nossa alma sedenta e a nossa vida é renovada pela conversão e ação do Espírito Santo.
Por Tuas chagas curados
Por Tuas mãos lapidados
Abraçando a vocação
Pulsa em nós Teu coração
“Por Tuas chagas curados” - Do lado aberto de Cristo, flui o remédio, a cura, a libertação— sangue e água como símbolos dos sacramentos; e que a “fonte” da cura não se fechou depois da Ressurreição.
A tradição escolástica também descreve os sacramentos como aquilo que cura a “ferida do pecado”: “sacramentos, pelos quais a ferida do pecado é purificada”.
E, na Palavra, dá pra ecoar a linguagem de “curar feridas”: em Jeremias, o Senhor promete “restaurar a saúde… e curar as feridas” por causa de quem foi chamado de volta. Além disso, o Salmo 51 traduz bem essa “cura por dentro” como criação de algo novo: “cria em mim um coração puro… e põe um espírito firme”.
Além do lado aberto, Jesus teve seu corpo chagado de várias formas e em vários locais, como as chagas das mãos e pés por conta dos pregos para fixá-lo na cruz, o ombro que foi bastante machucado por carregar a cruz tão pesada dos nossos pecados.... Por santa Gertrudes e São Bernardo de Claraval, segundo a tradição, é revelado que a chaga profunda causada pelo peso da cruz, foi a dor mais intensa e dolorosa que sentiu. A devoção à chaga do ombro de Cristo nos lembra o peso dos sofrimentos ocultos que muitas vezes não são reconhecidos, a importância da compaixão diante das dores silenciosas dos outros (tão necessária nos dias de hoje) e a promessa de Cristo de que quem honra essa chaga receberá graças especiais.
“Por Tuas mãos lapidados” - “Lapidados” sugere uma ideia de moldar por um processo, que não é instantâneo, é forjado. Novamente, penso na questão do oleiro. Jeremias carrega a ideia de que Deus não só chama, mas forma por dentro antes mesmo do destino começar: “antes de eu te formar no ventre, eu te conheci… e antes de você nascer eu te consagrei”. Por mais que às vezes essa lapidação seja dolorosa, há algo muito maior por trás e que vale muito à pena. A Igreja descreve essa moldagem espiritual como “santificação”: Deus, pela graça recebida na fé, modifica progressivamente a existência da pessoa “conforme o padrão de Cristo”. Cristo é o molde perfeito.Abraçando a vocação
Pulsa em nós Teu coração
“Por Tuas chagas curados” - Do lado aberto de Cristo, flui o remédio, a cura, a libertação— sangue e água como símbolos dos sacramentos; e que a “fonte” da cura não se fechou depois da Ressurreição.
A tradição escolástica também descreve os sacramentos como aquilo que cura a “ferida do pecado”: “sacramentos, pelos quais a ferida do pecado é purificada”.
E, na Palavra, dá pra ecoar a linguagem de “curar feridas”: em Jeremias, o Senhor promete “restaurar a saúde… e curar as feridas” por causa de quem foi chamado de volta. Além disso, o Salmo 51 traduz bem essa “cura por dentro” como criação de algo novo: “cria em mim um coração puro… e põe um espírito firme”.
Além do lado aberto, Jesus teve seu corpo chagado de várias formas e em vários locais, como as chagas das mãos e pés por conta dos pregos para fixá-lo na cruz, o ombro que foi bastante machucado por carregar a cruz tão pesada dos nossos pecados.... Por santa Gertrudes e São Bernardo de Claraval, segundo a tradição, é revelado que a chaga profunda causada pelo peso da cruz, foi a dor mais intensa e dolorosa que sentiu. A devoção à chaga do ombro de Cristo nos lembra o peso dos sofrimentos ocultos que muitas vezes não são reconhecidos, a importância da compaixão diante das dores silenciosas dos outros (tão necessária nos dias de hoje) e a promessa de Cristo de que quem honra essa chaga receberá graças especiais.
“Abraçando a vocação” - Aqui fica claro uma mudança de rumo, faz a passagem do “que Deus fez” para o “o que você responde”.
Jeremias mostra a vocação com uma missão concreta e com coragem dada por Deus: “não temas… porque eu estou contigo para te livrar”. O profeta Isaías completa o sentido: o servo é chamado e sustentado; Deus diz que o chama para "reunir e fazer o povo voltar". No Novo Testamento, aparece a resposta prática: “conduzam uma vida digna do chamado ao qual foram chamados”.
E não é vocação solta, algo qualquer, é único, é para fortalecer o corpo, com unidade e maturidade. Os dons existem “para edificar o corpo de Cristo”. É tão rico conhecer os vários carismas espalhados pela Terra e saber que se todos têm uma missão única, especial e que juntos contribuímos para o Reino de Jesus.
E não é vocação solta, algo qualquer, é único, é para fortalecer o corpo, com unidade e maturidade. Os dons existem “para edificar o corpo de Cristo”. É tão rico conhecer os vários carismas espalhados pela Terra e saber que se todos têm uma missão única, especial e que juntos contribuímos para o Reino de Jesus.
“Pulsa em nós Teu coração” - Traz em mim uma ideia de unidade enquanto Igreja, com a Trindade e com a humanidade, o corpo de Cristo feito um só.
O Salmo 51 ajuda a entender, quando fala que Deus promete não só “consertar”, mas dar um coração novo e um espírito renovado. E isso é promessa não para uma só pessoa, mas pra um povo. E a teologia da santificação descreve isso como participação na santidade de Deus, quando afirma que vai transformando a pessoa para ficar parecida com Cristo.
No mesmo eixo sacramental, o texto sobre a cura em Cristo insiste que a cura acontece como incorporação ao Corpo de Cristo: é um encontro que recupera relações com Deus e com os irmãos — ou seja, muda a “vida pulsante” por dentro.
A vida queremos te dar
Este mundo transformar
Ofertando uma resposta de amor
Aonde enviar-nos, Senhor
Nesse trecho percebo certa atitude missionária, de conversão na prática, onde você não quer só sentir fé — você quer se oferecer, pedir direção de Deus e colaborar pra que o mundo seja transformado pelo amor. É um movimento natural de quando somos inflamados e inspirados pela ação do Espírito Santo e queremos comunicar as maravilhas do Senhor.
Este mundo transformar
Ofertando uma resposta de amor
Aonde enviar-nos, Senhor
Nesse trecho percebo certa atitude missionária, de conversão na prática, onde você não quer só sentir fé — você quer se oferecer, pedir direção de Deus e colaborar pra que o mundo seja transformado pelo amor. É um movimento natural de quando somos inflamados e inspirados pela ação do Espírito Santo e queremos comunicar as maravilhas do Senhor.
“A vida queremos te dar" - É o nosso “sim” concreto a Deus, é entrega da própria existência. Na Bíblia encontramos vários exemplos dessa linguagem de oferta total quando diz “apresentem seus corpos como sacrifício vivo… este é o culto espiritual de vocês” E também liga isso a uma mudança de objetivo quando fala que Cristo morreu para que “os que vivem… vivam não mais para si mesmos, mas para Ele” . “Dar a vida” é viver de modo que o centro da sua vida deixe de ser “eu” e passe a ser Deus e os outros, do jeito d’Ele. É um sair de si, do nosso egoísmo, comodismo e deixar conduzir pelo Senhor.
“Este mundo transformar” - Essa frase trata da nossa conversão. Não devemos fica em bolha, tem que haver transformação real, mudança de caminho, um "novo eu".Paulo é bem direto: “não se conformem com este mundo… sejam transformados pela renovação da mente” E isso conversa com a ideia de que a vida cristã é resposta a um chamado que leva a ação concreta: “a vida cristã… é a resposta do cristão… a um chamado de Deus… [e] motiva para a ação concreta” Então “transformar o mundo” não é “mudar só o ambiente por fora”; é ser convertido por dentro e, daí, agir com coerência fora também.
“Ofertando uma resposta de amor” - Percebo aqui um pouco da lógica do cristianismo: primeiro Deus age (chama, resgata, transforma) e depois a pessoa responde com amor.
Por exemplo, Isaías mostra Deus chamando e trazendo salvação com intimidade: “não temas… eu te resgatei; eu te chamei pelo teu nome” Aqui também penso em uma imagem bem forte de Santa Teresa de Ávila: mesmo “trabalho pequeno”, oferecido a Deus, ganha um valor enorme porque Ele une tudo ao que é d’Ele: “Deus… unirá nossos insignificantes trabalhos… e dará um valor tão alto”
Ofertar é confiar que sua resposta de amor — mesmo com todas as nossas misérias — pode virar caminho verdadeiro de transformação.
Por exemplo, Isaías mostra Deus chamando e trazendo salvação com intimidade: “não temas… eu te resgatei; eu te chamei pelo teu nome” Aqui também penso em uma imagem bem forte de Santa Teresa de Ávila: mesmo “trabalho pequeno”, oferecido a Deus, ganha um valor enorme porque Ele une tudo ao que é d’Ele: “Deus… unirá nossos insignificantes trabalhos… e dará um valor tão alto”
Ofertar é confiar que sua resposta de amor — mesmo com todas as nossas misérias — pode virar caminho verdadeiro de transformação.
“Aonde enviar-nos, Senhor” - Essa frase me fez pensar em uma oração de missão: “onde você quer me mandar?”. Não é só “quero servir”, é mostrar-se aberto a discernir a vontade.
Paulo já mostra que a vida cristã deve buscar discernir a vontade de Deus: “sejam transformados… para que discernam qual é a vontade de Deus”
Ressalto um ponto importante: a missão nasce em Deus que primeiro “se pôs em movimento”, “Deus… primeiro se pôs a caminho em direção a nós”, Ele sempre se antecipa. A pergunta “aonde enviar-nos” vem nos dizer que você não decide sozinho o rumo; você pede que Deus te guie e que te faça enxergar o lugar onde o amor deve virar ação. Não é uma decisão baseada no "tenho afinidade com tal ministério e quero assumir ele", essa não é a forma correta. A decisão deve ser a partir de uma vida de oração, adoração, discernimento de onde Deus nos quer servindo.
Paulo já mostra que a vida cristã deve buscar discernir a vontade de Deus: “sejam transformados… para que discernam qual é a vontade de Deus”
Ressalto um ponto importante: a missão nasce em Deus que primeiro “se pôs em movimento”, “Deus… primeiro se pôs a caminho em direção a nós”, Ele sempre se antecipa. A pergunta “aonde enviar-nos” vem nos dizer que você não decide sozinho o rumo; você pede que Deus te guie e que te faça enxergar o lugar onde o amor deve virar ação. Não é uma decisão baseada no "tenho afinidade com tal ministério e quero assumir ele", essa não é a forma correta. A decisão deve ser a partir de uma vida de oração, adoração, discernimento de onde Deus nos quer servindo.
Uma vez por Ti selados
Não há volta, fomos separados
Eis nossa nova canção
Unidos num só Teu coração
Não há volta, fomos separados
Eis nossa nova canção
Unidos num só Teu coração
“Uma vez por Ti selados” - A linguagem do selo aparece algumas vezes na Bíblia, em especial quando Deus marca os seus para protegê-los e identificá-los como pertencentes a Ele.
Em Apocalipse, os servos de Deus são “marcados com a marca do Deus vivo” (um selo na fronte) até que esteja completo o que Deus prometeu. Em Efésios, Paulo nos dá um exemplo bem prático, quando fala que os cristãos são “marcados com um selo para o dia da redenção”. Em Cânticos 8, fala-se de um selo gravado no coração, e tem até música com essa passagem. Isso dá a ideia de que a vida católica não é feita só de momentos soltos; é uma pertença real com destino (céu).
Em Apocalipse, os servos de Deus são “marcados com a marca do Deus vivo” (um selo na fronte) até que esteja completo o que Deus prometeu. Em Efésios, Paulo nos dá um exemplo bem prático, quando fala que os cristãos são “marcados com um selo para o dia da redenção”. Em Cânticos 8, fala-se de um selo gravado no coração, e tem até música com essa passagem. Isso dá a ideia de que a vida católica não é feita só de momentos soltos; é uma pertença real com destino (céu).
“Não há volta, fomos separados” - Aqui “não há volta” não significa “Deus não perdoa” (isso seria contra o Evangelho). Significa algo mais profundo: depois que Deus te reconcilia, tua vida muda de eixo.
Paulo descreve essa virada como reconciliação: “estando nós reconciliados… seremos salvos por sua vida”. Ou seja: a morte de Cristo muda o status da pessoa, e isso puxa uma mudança concreta. E em 2 Coríntios, a ideia vai na mesma direção: Deus reconciliou e ainda deu uma missão/forma de viver — uma “obra/serviço da reconciliação”. Então “ser separado” pode ser entendido como deixar de viver para si e passar a viver para Deus e para os outros de um jeito novo.
Paulo descreve essa virada como reconciliação: “estando nós reconciliados… seremos salvos por sua vida”. Ou seja: a morte de Cristo muda o status da pessoa, e isso puxa uma mudança concreta. E em 2 Coríntios, a ideia vai na mesma direção: Deus reconciliou e ainda deu uma missão/forma de viver — uma “obra/serviço da reconciliação”. Então “ser separado” pode ser entendido como deixar de viver para si e passar a viver para Deus e para os outros de um jeito novo.
Quando temos experiências marcantes com Cristo, algo muda em nós, e mesmo que caiamos, estamos diferentes. Uma vez que bebemos da Água Viva, nenhuma outra água vai nos saciar.
“Eis nossa nova canção” - Quando a Bíblia fala em “nova canção”, que eu lembre, geralmente está falando de salvação nova, uma adoração que nasce do que Cristo fez.
Em Apocalipse, os redimidos cantam: “Eles cantam uma canção nova… pois fostes resgatados… para Deus” e isso muda identidade. A fé gera testemunho, é louvor, gratidão e anúncio daquilo que aconteceu com a pessoa e com a comunidade.
Em Apocalipse, os redimidos cantam: “Eles cantam uma canção nova… pois fostes resgatados… para Deus” e isso muda identidade. A fé gera testemunho, é louvor, gratidão e anúncio daquilo que aconteceu com a pessoa e com a comunidade.
“Unidos num só Teu coração” - Em Cristo, a unidade é sinal de vida nova.
Paulo diz que Cristo fez “de ambos os povos um só” e quebrou a “parede de separação”, criando “uma nova humanidade” e trazendo paz. E isso aparece também em imagem de comunidade no Salmo: “é muito bom e agradável quando irmãos vivem em unidade”. No “coração único”, a letra vem nos alertar que não é uniformidade superficial, que no primeiro atrito se desfaz; é unidade no mesmo Espírito e no mesmo caminho de fé, com maturidade e misericórdia. (Efésios fala dessa vida “digna do chamado” e da busca para manter a unidade do Espírito no vínculo da paz.)
Vida eterna alcançaremos em Ti
Um novo coração em nós pulsará
Rumo à Santidade, a eternidade sem fim
Águas mais profundas mergulhar
Paulo diz que Cristo fez “de ambos os povos um só” e quebrou a “parede de separação”, criando “uma nova humanidade” e trazendo paz. E isso aparece também em imagem de comunidade no Salmo: “é muito bom e agradável quando irmãos vivem em unidade”. No “coração único”, a letra vem nos alertar que não é uniformidade superficial, que no primeiro atrito se desfaz; é unidade no mesmo Espírito e no mesmo caminho de fé, com maturidade e misericórdia. (Efésios fala dessa vida “digna do chamado” e da busca para manter a unidade do Espírito no vínculo da paz.)
Vida eterna alcançaremos em Ti
Um novo coração em nós pulsará
Rumo à Santidade, a eternidade sem fim
Águas mais profundas mergulhar
“Vida eterna alcançaremos em Ti” - A frase reverbera uma promessa cristã: quem crê em Cristo terá a vida eterna. O Evangelho diz que o Filho foi levantado para que “quem crê nele tenha a vida eterna” (cf. Jo 3,15) e que Deus deu o seu Filho “para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
Traz o objetivo de vida de todo católico, a vida em Cristo tem como “ fim é a vida eterna” (Rm 6,22).
Além disso, 1 João resume assim: “Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está no seu Filho” e “quem tem o Filho tem a vida” (1Jo 5,11-12).
“Um novo coração em nós pulsará” - Trata da renovação interior como obra de Deus, de que não só "melhora" de comportamento, mas mudança do coração.
A profecia de Ezequiel é bem literal: Deus promete “dar-vos um coração novo… e remover do vosso corpo o coração de pedra e dar-vos um coração de carne” (Ez 36,26) e, ainda noz diz: “porei o meu espírito em vós” (Ez 36,27). E o Salmo associa essa renovação a uma oração que muitos cristãos rezam: “Cria em mim um coração puro… e põe dentro de mim um espírito novo” (Sl 51,10).
A ideia de “pulsará” me remete a vida, a movimento. O novo coração não é só conceito, é uma realidade viva que passa a governar nossas escolhas.
“Rumo à Santidade, a eternidade sem fim” - A santidade, na teologia bíblica não é opcional nem apenas para alguns; é um caminho que nasce do dom de Deus e se prolonga até a consumação.
O Concílio Vaticano II afirma que Cristo ensina e chama cada um à santidade e que o Espírito move “para amar Deus… com todo o coração… e amar uns aos outros”. E também ensina que a Igreja tem uma vocação à santidade que alcança sua plenitude na glória do céu: “a Igreja… obterá sua plena perfeição na glória do céu” (LG 48). Paulo liga santificação à meta final, quando nos diz que Deus não nos chamou “para impureza, mas para santidade” (1Ts 4,7). Em Levítico 19,2 temos: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.” e no Novo Testamento, em 1 Pedro 1:15-16 isso é reforçado: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porque está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.”
“Águas mais profundas mergulhar” - É um chamado a sairmos da superficialidade e adentrar com mais intensidade, mais profundidade nos mistérios divinos e em Sua vontade.
No encontro de Jesus com a samaritana, Ele promete “água viva” e diz que a água que Ele dá “se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4,10.14). “Águas mais profundas” pode ser entendido como:sair da fé superficial e ir para uma intimidade maior com Cristo (água viva);
deixar que a oração, a Palavra e os sacramentos tenham profundidade crescente; viver o louvor e a confiança também quando a vida está difícil — e ainda assim Deus conduz “do fundo” ao porto desejado (No Salmo 107, 24-30, vemos um a imagem poética de mergulho e resgate ).
Eis o Teu povo forjado na Cruz
Na comunhão, Tua mão nos conduz
Caminharemos sem cansaço
Escondidos em Teus átrios
Na comunhão, Tua mão nos conduz
Caminharemos sem cansaço
Escondidos em Teus átrios
Somos Teus! Somos Teus!
“Na comunhão, Tua mão nos conduz” - Curioso, aqui pensei em dois tipos de Comunhão, que a própria música foi me mostrando ao longo das estrofes.
A Comunhão dentro da Igreja (vida em unidade), a Igreja é continuamente conduzida pelo Espírito e cresce em unidade e obras de ministério. E aqui penso na comunhão também entre a Igreja Militante, a Padecente e a Triunfante. Aqui faço um adendo para explicar o que é cada uma. Igreja Militante refere-se aos fiéis que ainda vivem neste mundo, lutando contra o pecado e buscando a santidade. O termo “militante” vem da ideia de combate espiritual, pois os cristãos estão engajados na batalha da fé, perseverando na oração, nas boas obras e na defesa da verdade. A Igreja Padecente refere-se às almas que já partiram, mas que ainda estão em processo de purificação no Purgatório. Elas não estão condenadas, mas padecem temporariamente para se purificar antes de entrar na plena visão de Deus. A Igreja na terra intercede por elas, especialmente através das missas e orações. Essas duas dimensões se unem à Igreja Triunfante (os santos já na glória do Céu), formando a chamada Comunhão dos Santos: todos os membros do Corpo de Cristo, em diferentes estados, mas unidos na fé e no amor.
Pensei ainda na Comunhão sacramental, a Eucaristia expressa que o Cálice e o Pão são participação no sangue e no corpo de Cristo, e por isso “nós, muitos, somos um só corpo”.
Quando a letra diz “Tua mão nos conduz”, ela me lembra sa ideia bíblica de que Deus protege e guia quem se refugia n’Ele: “na sombra do Todo-Poderoso” o Senhor é refúgio e fortaleza.
Quando a letra diz “Tua mão nos conduz”, ela me lembra sa ideia bíblica de que Deus protege e guia quem se refugia n’Ele: “na sombra do Todo-Poderoso” o Senhor é refúgio e fortaleza.
“Caminharemos sem cansaço” - A Igreja não promete uma caminhada sem dificuldades, mas promete perseverança sustentada por Deus. O Senhor sustenta os que esperam n’Ele. Não sei você, mas pensei logo na passagem que diz que “os que esperam pelo Senhor renovarão suas forças… correrão e não se cansarão… caminharão e não desfalecerão”. E o apóstolo, Paulo se não me engano, descreve a vida cristã como corrida com perseverança: “corramos com perseverança a corrida… com os olhos fixos em Jesus”.
Então a questão de ser sem cansaço pode ser entendida como o fato de o fardo não eliminar a esperança, porque a força vem de Cristo e da espera em Deus.
Então a questão de ser sem cansaço pode ser entendida como o fato de o fardo não eliminar a esperança, porque a força vem de Cristo e da espera em Deus.
“Escondidos em Teus átrios” - Quando pensamos na imagem dos átrios (lugares do templo), somos remetidos a um local perto de Deus, sinal de proximidade, intimidade. O Salmo descreve esse abrigo como vida sob a proteção do Altíssimo: “aquele que habita no esconderijo do Altíssimo… sob a sombra do Onipotente..”. E o tema continua com uma garantia de pertença e permanência na casa de Deus: “farei de você uma coluna no templo do meu Deus… você nunca sairá”.
Assim, “escondidos em Teus átrios”, pode até parecer que é fuga covarde do mundo, mas na verdade é refúgio no próprio Deus, de onde a missão e a coragem nascem, a fonte de tudo, o Alfa e o Ômega.
Assim, “escondidos em Teus átrios”, pode até parecer que é fuga covarde do mundo, mas na verdade é refúgio no próprio Deus, de onde a missão e a coragem nascem, a fonte de tudo, o Alfa e o Ômega.
“Somos Teus! Somos Teus!” - Confesso que aqui, lembrei da consagração à Jesus pelas mãos de Maria e o famoso termo "Totus Tuus ergo sum", que significa "Sou Todo teu, portanto sou".
Isaías coloca essa verdade na boca do próprio Deus: “Eu te resgatei; eu te chamei pelo teu nome; tu és meu”. E Paulo liga pertença a uma identidade profunda: “vós pertencerdes a Cristo” (e Cristo a Deus), e portanto o cristão não tem o seu centro na própria vontade.
Somos Teus é a resposta de quem vive aberto à condução e unido em comunhão, permanecendo em Cristo.
Vida eterna alcançaremos em Ti
Um novo coração em nós pulsará
Rumo à Santidade, a eternidade sem fim
Águas mais profundas mergulhar
Isaías coloca essa verdade na boca do próprio Deus: “Eu te resgatei; eu te chamei pelo teu nome; tu és meu”. E Paulo liga pertença a uma identidade profunda: “vós pertencerdes a Cristo” (e Cristo a Deus), e portanto o cristão não tem o seu centro na própria vontade.
Somos Teus é a resposta de quem vive aberto à condução e unido em comunhão, permanecendo em Cristo.
Vida eterna alcançaremos em Ti
Um novo coração em nós pulsará
Rumo à Santidade, a eternidade sem fim
Águas mais profundas mergulhar
Já analisado acima.
Reitero que o texto é algo que parte unicamente de mim, do que a letra dessa música reverberou em mim. E por sinal, deixo aqui registrada a Glória de Deus em inspirar música tão bela e de uma riqueza e profundidade espiritual tão grandes.
Continuem por aqui e em breve escreverei e postarei as reflexões da música de louvor e da música de oração.
Que os Espírito Santo vos conduza a, por meio dessa música, se aproximar mais da santidade!


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